segunda-feira, 7 de abril de 2008

APROVEITANDO O CLIMA... ABAIXO À DITADURA!!! - Mostra Humberto Mauro

Abaixo à ditadura

Mostra na Humberto Mauro exibe filmes políticos que marcaram produção nacional nos anos 1960/70




Fernanda Montenegro e Paulo Gracindo em Tudo bem, de Arnaldo JaborO golpe militar de 1964 completou 44 anos em 31 de março. Como o brasileiro tem posição meio ambígua frente aos momentos incômodos do passado, quase ninguém comemorou a data – os órfãos do golpe preferiram não defendê-lo, suas vítimas preferiram não atacá-lo. Em Belo Horizonte, o “quase” antes de “ninguém” é por causa do Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes, que marcou a data com a apresentação do documentário Cabra Marcado para morrer, de Eduardo Coutinho, filme que foi interrompido com o golpe e teve sua produção retomada anos depois. A partir de hoje, o Humberto Mauro volta à carga na reflexão sobre o cinema nos anos de chumbo, com a mostra Cinema urbano em tempos de ditadura.Infelizmente, são apenas cinco filmes – Tudo bem, de Arnaldo Jabor (1978); São Paulo S/A, de Luiz Sérgio Person (1965); Bang bang, de Andrea Tonacci (1970); Meteorango Kid – Herói intergalático, de André Luiz Oliveira (1969); e O homem que virou suco, de João Batista Andrade (1979). Felizmente, são filmes representativos do bom cinema que foi feito no Brasil nos anos 1960 e 70 – no sentido de constituírem sínteses de tendências da criação naquele período.São Paulo S.A., por exemplo, um dos filmes que abrem hoje a mostra, lida objetivamente com questões sociais e econômicas. É possível associar este fato com a época de sua realização – 1965, antes da fase mais autoritária do regime militar. No extremo oposto, podemos localizar Meteorango Kid, que estreou pouco depois da promulgação do AI-5 (marco do início da fase mais dura do regime), representativo de uma época em que a metáfora constituía praticamente o único caminho para que a mensagem dos artistas pudesse chegar ao público. Quase na mesma época, Bang bang é uma obra em que o drama político precisa ser lido nas entrelinhas, filho de uma geração que, impossibilitada de agir no mundo real, decidiu partir numa viagem delirante sobre a própria cultura.O homem que virou suco é representativo de outro momento: o regime começava a dar sinais de exaustão, e pelas brechas abertas por seu apodrecimento, era novamente possível passar discursos políticos mais firmes e claramente críticos. Eram filmes que eventualmente enfrentavam problemas com a censura, mas tinham condições, pelo menos, de serem produzidos sem que seus realizadores fossem obrigados ao exílio. Tudo bem, por fim, investiga os estragos que as transformações produziram na sociedade brasileira, inclusive no cotidiano das pessoas comuns.


confira a programaçõa em http://www.palaciodasartes.com.br/ e aqui

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